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Na seção Dicas, o que fazer depois da IPWIZARD.
Dicas

Image from AI: IPWIZARD
Depois da IPWIZARD: quando o PROFILE TCPIP vira dívida técnica?
Se você já instalou ou reconfigurou o TCP/IP no z/VM, provavelmente conhece a IPWIZARD.
Ela é aquela ferramenta prática que acompanha o sistema operacional e acelera a configuração inicial da pilha TCP/IP do z/VM. Com alguns comandos e respostas a perguntas objetivas, é possível obter um stack funcional em poucos minutos. É quase obrigatória durante a instalação do z/VM.
Mas é importante entender o que a IPWIZARD realmente entrega.
Ela cria uma configuração inicial, mínima e funcional. O objetivo é permitir o primeiro acesso, validar a conectividade básica e colocar o ambiente de pé.
Ela não substitui a revisão técnica posterior.
Depois da execução da ferramenta, continuam sob responsabilidade do administrador os ajustes de desempenho, a revisão dos serviços ativados, os limites de conexão, os timeouts, os parâmetros específicos do ambiente e a documentação final da configuração.
E é exatamente aí que mora o perigo.
Porque a configuração funciona.
E, quando funciona, muita gente deixa como está.
1.1 Como o TCP/IP encontra sua configuração?
Quando a pilha TCP/IP do z/VM é ativada, ela procura seu arquivo de configuração inicial seguindo uma ordem de precedência.
De forma simplificada, a busca ocorre nesta sequência:
Um arquivo com o nome da máquina virtual rodando módulos do TCP/IP, por exemplo:
TCPIP TCPIP, ou DTCVSW1 TCPIP ou STACK2 TCPIP.Um arquivo com o nome do sistema, ou node name, por exemplo:
VMSYS01 TCPIPO arquivo padrão:
PROFILE TCPIP
O primeiro arquivo encontrado é usado.
Se nenhum deles existir, a pilha TCP/IP não ativa normalmente e encerra com mensagem de erro.
A IPWIZARD cria justamente a terceira opção: o PROFILE TCPIP.
Ele é o arquivo genérico, funcional e conveniente. Mínimo.
E essa conveniência pode virar armadilha.
Porque o ambiente sobe, o ping responde, o primeiro acesso funciona e a configuração “temporária” começa a ganhar aparência de definitiva.
1.2 Um sistema otimizado deve ter configuração própria
Em um ambiente bem cuidado, o ideal é que cada pilha TCP/IP tenha uma configuração identificável, específica para sua função, sua carga e suas políticas operacionais.
Em vez de depender indefinidamente do PROFILE TCPIP genérico, é recomendável criar um arquivo de configuração associado ao nome correto da máquina virtual ou, de preferência, ao nome do sistema.
É ali que o administrador deve ajustar os parâmetros, por exemplo, de ASSORTEDPARMS, revisar limites de conexão, definir timeouts coerentes, controlar serviços, documentar particularidades e registrar as decisões tomadas para aquele ambiente específico.
A configuração inicial permite sair do chão.
A configuração revisada permite voar com segurança.
1.3 A síndrome da instalação às pressas
Todo mundo já viu esse filme.
O prazo está apertado.
O cliente precisa do ambiente.
A troca de equipamento está chegando.
A janela de mudança não permite atrasos.
A IPWIZARD resolve o problema imediato.
O stack sobe.
O ping funciona.
A aplicação conecta.
A mudança é declarada bem-sucedida.
E a configuração provisória vira configuração permanente.
Sem revisão dos parâmetros.
Sem comparação com os samples.
Sem análise de desempenho.
Sem arquivo específico para aquele sistema.
Sem documentação adequada.
O manual de instalação do z/VM orienta que, depois da execução da IPWIZARD, a configuração gerada seja revisada e ajustada para a realidade do ambiente. Os arquivos sample fornecidos pela IBM, como o PROFILE STCPIP, existem justamente para apoiar essa revisão.
Mas quantas vezes isso acontece de fato?
Na prática, o analista disponível naquele momento muitas vezes está concentrado em cumprir a tarefa para a qual foi escalado: executar o procedimento, seguir o script e entregar o acesso inicial.
Revisar parâmetros default?
“Depois a gente vê.”
E o depois raramente chega. Já me deparei com esse cenário muitas vezes.
Meses ou anos depois, o TCP/IP começa a apresentar comportamentos difíceis de diagnosticar: conexões lentas, timeouts inesperados, serviços expostos sem necessidade, consumo anormal de recursos ou diferenças inexplicáveis entre ambientes que deveriam se comportar da mesma forma.
Quando se investiga a origem, lá está ele: o PROFILE TCPIP genérico, criado na instalação inicial e mantido porque “funcionava” no dia da ativação.
A IPWIZARD é uma aliada no início. Mas não pode ser usada como desculpa no post-mortem.
Ela entrega um ponto de partida. Transformar esse ponto de partida em uma configuração otimizada, segura e documentada é responsabilidade do administrador.
1.4 Checklist mínimo para depois da IPWIZARD
Depois de executar a IPWIZARD, não considere o trabalho concluído antes de revisar pelo menos estes pontos:
1. Troque o perfil genérico por uma configuração específica
Evite depender indefinidamente do PROFILE TCPIP.
Crie um arquivo de configuração associado ao nome correto da máquina virtual TCP/IP ou ao nome do sistema, conforme a arquitetura do seu ambiente.
Isso facilita manutenção, auditoria, comparação entre ambientes e resolução de problemas futuros.
2. Compare a configuração gerada com os samples da IBM
Use os arquivos sample, como o PROFILE STCPIP, como referência técnica. Cada versão do z/VM traz um novo arquivo com as possíveis melhorias aplicadas no TCP/IP daquela versão.
Eles ajudam a identificar parâmetros omitidos, opções esquecidas e ajustes que a configuração inicial da IPWIZARD não contempla.
3. Revise os parâmetros em uso
Analise os parâmetros de TCP de acordo com a carga real do ambiente.
Itens como timeouts, buffers, limites e comportamento de conexões não devem permanecer no default apenas porque o sistema subiu.
Defaults são pontos de partida, não projeto final.
4. Revise serviços, portas e exposição
Confirme quais servidores e serviços realmente precisam estar ativos. Você realmente usa RSCSDNS?
Nem tudo que pode subir automaticamente deve subir automaticamente.
Verifique também comandos START, arquivos OBEYFILE, servidores auxiliares e qualquer definição que exponha serviços sem necessidade operacional.
5. Valide AUTOLOG e inicialização
Revise quais máquinas virtuais e serviços são iniciados automaticamente.
Um ambiente bem documentado precisa deixar claro o que sobe no IPL, o que depende da pilha TCP/IP, o que depende de outros serviços e qual é a sequência correta de ativação.
6. Documente cada decisão
A configuração final é sua, não da ferramenta.
Registre o motivo de cada alteração, especialmente quando houver ajuste de timeout, buffer, serviço, rota, dispositivo ou limite operacional.
A documentação que você escreve hoje pode ser a diferença entre resolver um incidente em quinze minutos ou passar uma madrugada inteira procurando a causa.
7. Teste com tráfego representativo
Não valide apenas com PING.
Teste acesso real, carga compatível com o uso esperado, comportamento de aplicações, resolução de nomes, conexões simultâneas, reinicialização da pilha e recuperação após falhas planejadas.
Conectividade básica não é homologação.
Conclusão
Quem chega antes escolhe os melhores lugares.
Mas quem não volta para revisar o que instalou acaba tropeçando nos próprios defaults.
A IPWIZARD é excelente para começar. Só não deve ser o ponto final.
E o assunto não se encerra aqui. Em uma das próximas edições, vou comentar outro tema importante:
O que fazer quando o TCP/IP não ativa? Existe uma porta dos fundos?
E não esqueça: se isto parece complicado, me chame e eu faço para você, pessoalmente. Um especialista em Communication Server, do z/OS, pode fazer isto? Claro que sim. Com dificuldade? Claro que sim. Demorando mais tempo que o necessário? Claro que sim. Apenas porque z/OS e z/VM são plataformas diferentes e distintas? Claro que sim.
Para onde ir daqui? Fale comigo!

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