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Na seção História, contada em 4 partes, o que é um Mainframe?

História

A palavra mainframe nasceu do metal, mas a necessidade veio muito antes.

Série Mainframes — 1 de 4

Antes do nome

Antes de existir uma máquina chamada mainframe, existia um problema grande demais para continuar sendo tratado à mão.

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O problema veio primeiro

No fim do século XIX, os Estados Unidos tinham um problema que hoje parece banal: contar a própria população.

O censo de 1880 levou anos para ser tabulado. Quando os preparativos para o levantamento de 1890 começaram, havia o medo de que o país terminasse um censo quando já estivesse na hora de iniciar o seguinte.

Herman Hollerith ajudou a mudar esse cenário com cartões perfurados e máquinas eletromecânicas de tabulação.

Os cartões não eram computadores. As tabuladoras também não eram computadores no sentido moderno. Mas havia ali uma ideia que atravessaria o século: transformar fatos da vida em marcas que uma máquina pudesse ler.

Idade, sexo, estado civil, profissão e local de nascimento deixavam de existir apenas em formulários escritos. Passavam a ocupar posições específicas em um cartão.

A vida ganhava furos.

O método se espalhou porque o problema não pertencia apenas aos governos.

Empresas também começavam a acumular mais informação do que seus escritórios conseguiam processar. Folhas de pagamento cresciam. Estoques se espalhavam. Seguradoras acumulavam apólices. Bancos registravam contas. Ferrovias precisavam controlar passageiros, cargas e horários.

Durante décadas, boa parte desse trabalho foi feita por pessoas, cartões, classificadoras, perfuradoras, tabuladoras e livros enormes.

O dado tinha peso.

Tinha cheiro de papel.

E fazia barulho.

Uma sala de processamento não era silenciosa como um aplicativo aberto na tela do celular. Havia motores, engrenagens, pilhas de cartões, caixas, operadores e o receio constante de que um maço caísse no chão e levasse junto a ordem de um trabalho inteiro.

Antes de o computador resolver o problema, foi o problema que preparou o lugar do computador.

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A máquina arrumou emprego

“No laboratório, a pergunta era se funcionava. Na empresa, passou a ser se funcionaria todos os dias.”

Os primeiros computadores eletrônicos nasceram de uma mistura pouco romântica de guerra, ciência, governo, universidades e urgência.

Era preciso calcular trajetórias, quebrar códigos, estudar fenômenos físicos e processar volumes de informação que já não cabiam no ritmo humano.

Por isso, é difícil apontar uma única porta pela qual o computador teria “saído da academia” e entrado no comércio.

A travessia aconteceu em etapas.

Em 1951, o Ferranti Mark 1 tornou-se o primeiro computador eletrônico de uso geral disponível comercialmente. A primeira máquina foi entregue à Universidade de Manchester. Era um produto comercial, embora ainda morasse no ambiente acadêmico que ajudara a criá-lo.

No mesmo ano, o UNIVAC I começou sua vida no Departamento do Censo dos Estados Unidos.

Seu nome vinha de Universal Automatic Computer. Ele foi concebido para processar informação administrativa em grande escala. Já não era apenas uma experiência científica: havia contrato, cliente, prazo e um trabalho real esperando por ele.

Ainda em 1951, na Inglaterra, o computador LEO executou uma aplicação empresarial completa para a rede de restaurantes e casas de chá J. Lyons. A máquina ajudava a organizar tarefas comerciais que não tinham o brilho de uma equação atômica, mas pagavam contas e mantinham uma empresa funcionando.

Em 1954, a General Electric instalou um UNIVAC em sua operação de eletrodomésticos, em Louisville. O computador passou a lidar com atividades como folha de pagamento e controle empresarial.

Esse talvez seja o momento mais fácil de visualizar.

A máquina que antes calculava problemas extraordinários passou a cuidar de coisas comuns.

Salários.

Custos.

Estoque.

Faturas.

Produção.

O computador havia arrumado um emprego.

Pouco depois, máquinas como o IBM 650 e o IBM 1401 ajudaram a transformar computadores em produtos repetíveis. Eles podiam ser fabricados, instalados e aplicados em organizações diferentes.

O mainframe ainda não tinha recebido esse nome como categoria.

Mas o mundo que exigiria sua existência já estava pronto.

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Um nome de metal

“Antes de dar nome a uma classe de computadores, mainframe era apenas o main frame: a estrutura principal que guardava o coração da máquina.”

Os primeiros computadores não eram formados por uma única caixa.

Eram conjuntos de armações metálicas, gabinetes e painéis. Um frame podia conter alimentação elétrica. Outro abrigava memória. Outros sustentavam circuitos, unidades de controle ou componentes de entrada e saída.

Entre eles havia a estrutura principal, interligando tudo.

O main frame.

Documentos técnicos do início dos anos 1950 já usavam as duas palavras para identificar uma parte física da máquina. A expressão aparece, por exemplo, no universo do IBM 701.

Não parece ter existido uma reunião solene em que alguém bateu na mesa e inventou o nome.

Ele surgiu da necessidade prática de distinguir o frame principal dos demais.

Depois, a linguagem fez o que costuma fazer.

O recipiente emprestou seu nome ao conteúdo.

O main frame passou a representar o conjunto central de processamento. Mais tarde, apareceu com hífen. Por fim, as duas palavras se uniram:

main frame → main-frame → mainframe

Há uma segunda parte importante nessa história.

Durante algum tempo, um computador era simplesmente chamado de computador. A necessidade de separar categorias ficou mais forte quando máquinas menores, especialmente os minicomputadores, começaram a ganhar mercado na década de 1960.

A antiga expressão física encontrou uma nova função.

Mainframe passou a distinguir os grandes computadores de uso geral, centrais para o trabalho de governos e empresas, das máquinas menores que surgiam ao redor deles.

A palavra nasceu do tamanho e da disposição do metal.

Mas sobreviveu porque passou a representar uma responsabilidade.

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Quando os dados sujavam

“Antes de irem para a nuvem, os dados soltavam pó.”

Os cartões perfurados são lembrados como símbolos de uma tecnologia antiga. Mas vale olhar para eles sem ironia.

Durante décadas, foram uma forma eficiente de registrar informação para processamento automático. Também criaram uma cultura inteira de trabalho.

Cada cartão tinha posição.

Cada coluna tinha sentido.

Um programa podia ocupar uma caixa. Um arquivo podia preencher armários. Uma alteração podia exigir perfurar novos cartões e substituir fisicamente parte de um baralho técnico.

As perfuradoras produziam pequenos fragmentos retangulares de papel, chamados chads ou, na linguagem de algumas equipes, simplesmente cavacos.

Havia caixas para recolhê-los.

Havia também fibras e pó de papel.

Em ambientes com cartões, formulários contínuos e impressoras, limpeza e controle de partículas não eram caprichos. Discos, fitas e mecanismos de leitura pediam condições ambientais mais cuidadosas.

Nem toda instalação separava equipamentos da mesma forma, e seria exagero criar uma regra universal. Mas muitas empresas organizaram suas salas de modo a afastar a preparação de cartões e a papelada dos dispositivos mais sensíveis.

A informação ainda deixava sujeira no chão.

Hoje você toca uma tela e os dados desaparecem em uma infraestrutura que não vê. Naquela época, uma pessoa podia carregar um programa nos braços.

Essa diferença material ajuda a entender por que o mainframe se tornou tão central.

Ele não era apenas um processador.

Era o ponto em que trabalho humano, papel, eletricidade, memória, armazenamento e decisão empresarial se encontravam.

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Não era um luxo

“Empresas não compravam uma máquina grande para exibi-la. Compravam porque o problema havia crescido.”

Comparar um mainframe a um Rolls-Royce ou a uma Ferrari pode parecer tentador.

São caros. Chamam atenção. Exigem conhecimento especializado.

Mas a comparação termina aí.

Uma pessoa pode comprar um carro muito acima de sua necessidade para demonstrar posição, gosto ou riqueza. Uma empresa não instala um computador central para estacioná-lo diante da sede e impressionar os amigos.

Ninguém fazia cavalo-de-pau com um UNIVAC na avenida.

A decisão nascia de uma necessidade de negócio.

A organização precisava processar mais dados, atender mais pessoas, fechar contas com rapidez, reduzir erros e continuar crescendo sem aumentar o escritório na mesma proporção.

Isso não significa que toda compra tenha sido acertada. Também não significa que não existiram disputas de prestígio entre fabricantes ou executivos.

Mas a justificativa econômica precisava existir.

O computador entrava quando o método anterior começava a ameaçar o futuro.

Essa é a origem real do mainframe.

Não uma máquina grande à procura de um problema.

Mas uma resposta para problemas que já haviam se tornado grandes demais.

Na próxima semana, essa resposta deixará de ser uma invenção rara e se transformará em uma indústria.

E quando uma indústria nasce, os gigantes começam a brigar.

Para onde ir daqui? Fale comigo!

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